Por acaso, hoje, a moça que atendi usava o seu perfume.
Senti uma saudade tão funda e honesta tão necessária que depois de uma hora ainda estava a conversar frivolidades intimamente com ela, aquela moça nem bonita era, nem feia, nem alta, nem baixa, nem gorda, nem magra, nem nada, aquela moça que eu sequer olharia se a visse na rua parecia uma amiga antiga, dessas que nos prendem a atenção quando falam.
Saiu feliz, acho, reluzente, dada, gratuita, com sua timidez atrevida. Inconsciente da sua iniqüidades sem saber que por um momento ela só foi interessante porque trouxe consigo um leve resquício de uma terceira e alimentou certa ilusão.
Perfumes e musicas sempre me tiram o fôlego da crítica e paralisam a minha inteligência. Se ela cantou dentro de mim, a culpa, bom, a culpa é da minha inocência.
Postar um comentário